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Gran Canaria

 

Apesar do seu nome e fama, a Gran Canaria não é a maior das ilhas Canárias, ainda que de alguma forma pareça grande. Tem em Las Palmas a mais populosa e dinâmica das cidades do arquipélago; Maspalomas é um dos maiores complexos turísticos da Europa, e a paisagem interior é imponente em todos os sentidos. Só Tenerife consegue assemelhar-se a esta combinação de atracções cosmopolitas, rurais e marítimas, e não há dúvida de que as praias da Gran Canaria são superiores.

 

O tamanho comparativamente pequeno da ilha pode também ser uma vantagem. Tanto Las Palmas como Maspalomas estão a 30 minutos do aeroporto e nenhum outro local da ilha está a mais de uma hora de carro destes dois destinos. De facto, é perfeitamente possível dar a volta à ilha de carro num dia.

 

A Gran Canaria é a ilha mais popular a seguir a Tenerife, mas se deseja realmente afastar-se de tudo, não precisa de se preocupar com grandes multidões de turistas. A maior parte dos visitantes simplesmente deixa-se cair nas suas toalhas e por ali fica.

 

A Gran Canaria é muitas vezes designada como "um continente em miniatura": uma referência às diferenças de paisagem e clima que se podem encontrar nesta ilha. As suas paisagens passam rapidamente de desfiladeiros do Oeste Selvagem a idílicas florestas de pinheiros e a dunas como as do Saara, e mesmo que ainda reste um pouco de neve no Pico de las Nieves, Maspalomas continuará banhada em sol. A Gran Canaria é também, cultural e historicamente, a mais dotada das ilhas. A melhor representação das ages do espectáculo e de museus está em Las Palmas, e uma valiosa colecção dos locais e relíquias dos Guanches está espalhada por toda a ilha.

 

 

Fuerteventura

 

Miguel de Unamuno, o poeta e filósofo espanhol exilado em Fuerteventura pelo general Franco, descreveu outrora a ilha como "um oásis no deserto da civilização". No entanto, para os menos místicos, Fuerteventura é simplesmente um deserto, e por sinal bastante ventoso. De facto, é muito possível que a ilha tenha ido buscar o nome ao vento forte, el viento fuerte, que é uma característica quase permanente deste lugar.

 

Longe das atraentes praias de areia - as melhores de todas as Canárias - fica uma terra agreste, poeirenta e árida, bastante desprovida de água, árvores ou pessoas. Fuerteventura é, na realidade, a segunda maior ilha de todas as Ilhas Canárias, embora todos os seus 30.000 habitantes coubessem num pequeno subúrbio de Las Palmas.

 

Em termos geológicos, Fuerteventura é a mais antiga de todas as ilhas, e o seu aspecto certamente o confirma. Os seus picos vulcânicos, outrora pontiagudos, sofreram os efeitos da erosão e dos elementos, dando origem a uma série de suaves altos e baixos, que têm um certo esplendor ao pôr-do-sol enquanto se expõem e brilham com o calor, tomando tons avermelhados. Mas seria errado sugerir que a paisagem de Fuerteventura é monótona. Muitos visitantes encontram no seu aspecto árido uma forma de grandiosidade, e as dunas de Corralejo e Jandía são maravilhas da Natureza de uma enorme beleza. Apesar de tudo, poucas pessoas vêm visitar a ilha pelas suas paisagens ou pelas suas estâncias turísticas. Estas estão pouco exploradas e todas são de qualidade relativamente fraca. Os visitantes normalmente vêm para aqui à procura de umas férias sossegadas na praia ou para aproveitarem as melhores condições do mundo para a prática de windsurf, ou simplesmente, para se evadirem de tudo.

 

 

Lanzarote

 

Em qualquer lista de locais preferidos das ilhas Canárias, Lanzarote aparecerá sempre perto do topo. Este lugar extraordinário é, acima de tudo, notável visualmente. Muitas ilhas vulcânicas pelo mundo fora têm praias escuras e algumas têm campos escurecidos, todavia nenhuma delas transformou uma catástrofe vulcânica numa obra de arte como esta.

 

Nos jardins traseiros das casas, a cinza negra tem sido tão bem aplanada como qualquer relva aparada, cercada por muros de pedra caiados e plantada com hibisco e buganvílias. As casas são baixas e brancas, com caixilhos e portas verdes (cores oficiais da ilha), e as suas chaminés são rematadas por cúpulas de domos bizantinos. Nos campos, batatas, cebolas e tomates crescem sobre os mesmos sedimentos vulcânicos. Cada grupo de plantas está protegido do sol e do vento por um muro de pedras semi-circular. Este esquema vai-se estendendo até ao infinito, com as encostas da montanha como fundo, criando um efeito tão hipnótico como qualquer obra de arte moderna. A acrescentar a isto, existem as belas praias do sul e as águas de um azul cristalino impolutas, em redor da ilha. Os Lanzarotenos há já muito tempo que se aperceberam da importância das suas paisagens e de forma a preservá-las proibiram todas as distracções visuais. Assim, não existe publicidade amontoada desfigurando a paisagem, nem postes de electricidade (os cabos passam por baixo da terra) e não há torres muito altas a denegrir os arredores.

 

O grande responsável por estas medidas ambientais foi o herói da ilha, César Manrique (1919-92). Este artista e designer muito talentoso também criou uma série de atracções semi-naturais na ilha, que nenhum visitante deve perder.

 

Apesar de todos os caminhos cuidados e limpos da ilha, contudo, a principal recordação do visitante será a de um caos que homem nenhum poderia ter criado ou dominado. As Montanhas de Fogo de Lanzarote assemelham-se a uma verdadeira paisagem lunar, comparável a nenhuma outra na terra e constituem a maior emoção visual desta ilha única.

 

Tenerife

 

Tenerife é a maior das Ilhas Canárias e o Monte Teide constitui o ponto mais elevado de todo o território espanhol. Consequentemente, as diferenças climatéricas aqui são maiores que em qualquer outra ilha. No Inverno, o vento pode soprar e a neve pode cobrir o Monte Teide, enquanto que a apenas 40 km a sul, os amantes do sol se bronzeiam na praia.

 

O Sul da ilha é quente, seco e árido, com pouco interesse paisagístico. As suas estâncias instituem a nova face de Tenerife. Se procura história, cultura e paisagem tem que se dirigir para Norte, para as belas e antigas cidades coloniais de La Laguna, La Orotava e a capital, Santa Cruz. Mesmo Puerto de Ia Cruz, local onde há cerca de um século nasceu o turismo em Tenerife, ainda mantém a maior parte do seu aspecto antigo, apesar do seu número elevado de grandes hotéis.

 

O Norte é verde e luxuriante o que, é claro, significa chuva. Esta é breve, intensa e ocasional no Verão, mas no Inverno é quase certo que chova bastante por alguns dias durante uma estadia de duas semanas.

 

Teide domina toda a Tenerife. A paisagem vulcânica do seu Parque Nacional assemelha-se a uma paisagem do outro mundo, mas existem na ilha muitas outras atracções igualmente interessantes. Jardins zoológicos, jardins, plantações de banana e museus fazem com que ninguém sinta que não tem nada para fazer.

 

Surpreendentemente, a única coisa que falta a Tenerife são boas praias. Apenas a faixa dourada da Playa da Ias Teresitas (perto de Santa Cruz) merece um postal. No entanto, com alternativas como o Lido em Puerto de Ia Cruz e o Aquaparque Octopus na Playa de Ias Américas, poucas pessoas se importam com esse facto.

 

La Gomera

 

La Gomera é uma ilha em forma de cúpula com um planalto central abatido e os seus lados apresentam-se rasgados por grandes desfiladeiros que a recortam quase por completo. Esta terra tortuosa apresentava antigamente grandes problemas de comunicação e as viagens ainda são longas. A ilha tem apenas 23 por 25 km nos seus lados mais proeminentes, mas não conseguirá percorrê-la calmamente de carro num só dia, e um mínimo de dois dias é necessário para poder ver todos os pontos de interesse da ilha.

 

Seria uma pena não passar uma noite em Gomera, na medida em que aqui se encontram os dois melhores hotéis das Canárias. Este é realmente um caso de qualidade em oposição à quantidade, pois, para além destes dois, não há mais nenhum hotel na ilha merecedor desta classificação. A ausência do turismo aqui constitui pelo menos metade do fascínio para o pequeno grupo de apreciadores da ilha. A comparação entre La Gomera e Los Cristianos, apenas a 32 km e 35 minutos de barco a motor de distância, confirma a existência de duas culturas completamente diferentes. O abismo existente entre elas poderá, no entanto, vir a ser encurtado. Isto porque, Gomera, até à data a única ilha das Canárias sem um aeroporto, está prestes a aderir à era da aviação - embora estabelecendo apenas ligações entre as ilhas. Mas, com apenas uma verdadeira praia em toda a ilha e infra-estruturas turísticas limitadas, é improvável que La Gomera siga o mesmo caminho de Benidorm.

 

As primeiras impressões sobre a ilha são enganadoras. A paisagem árida em redor de San Sebastián dá rapidamente lugar a alguns dos vales mais bonitos e luxuriantes do arquipélago, enquanto que o centro da ilha encontra-se quase sempre coberto por uma neblina, que, refresca a sequiosa e pré-histórica floresta tropical do Parque Nacional.

 

Existem poucos locais como este em Gomera, mas a beleza natural prolifera por aqui. Para obter o melhor da ilha, traga as suas botas de montanha e fique uma semana.

 

La Palma

 

La Palma é bastante diferente das outras ilhas Canárias mais pequenas e, em muitos aspectos, é superior às suas primas maiores. Nas Canárias é conhecida por La Isla Verde (Ilha Verde) devido à relativa abundância de água. Para os agricultores isto significa boas colheitas de banana, tabaco e pêra abacate; para os turistas significa a mais tropical e, para muitos, a mais bela paisagem do arquipélago. Esta beleza natural é realçada pelas casas e pelos jardins dos habitantes da ilha, muitas vezes considerados como sendo os mais bem cuidados das Canárias.

 

La Palma tem uma história relativamente próspera. A capital, Santa Cruz de Ia Palma, foi um dos únicos três portos espanhóis autorizados a manter comércio com as Américas durante um certo período, no século XVI, e ainda hoje é visível o seu passado aristocrático.

 

A ilha não é muito boa para férias de praia. Tendo apenas uma mão cheia de praias escuras e estando isolada das ilhas maiores, apenas atrai um pequeno número de turistas em busca de paz e de beleza natural. O seu principal objectivo é a Caldera de Taburiente - uma cratera maciça formada há cerca de 400.000 anos por uma explosão que abalou o solo, o qual depois foi alisado e enverdecido pela natureza, transformando-o num local de notável beleza que goza actualmente do estatuto de Parque Natural de Espanha. A contrastar com isso, a actividade vulcânica mais recente das Canárias também teve lugar nesta ilha, em 1971. Ainda se pode sentir o calor debaixo dos pés.

 

Duas outras características ajudam a explicar a forte atracção natural da ilha. Em relação à sua área, diz-se que é a ilha mais alta do mundo. E se atingirmos o cume (a 2426 metros de altitude) veremos um observatório de astrofísica, de resplandecente brancura, que ficaria muito bem na Lua. Porque La Palma também se gaba de ter o mais claro céu nocturno do hemisfério norte.

 

El Hierro

 

El Hierro é a mais ocidental, a mais pequena e a menos conhecida das Ilhas Canárias. A acentuar isto, é em Las Puntas que se encontra aquele que se diz ser o hotel mais pequeno do mundo. Uma tal solidão e ausência de pretensões atrai inevitavelmente um pequeno número de visitantes que vêm até cá por causa dos passeios, da paz e do sossego que a ilha oferece.

 

A história desta ilha também não tem muitos episódios. Os Herrenos foram os únicos habitantes das ilhas que se renderam pacificamente aos invasores espanhóis. Infelizmente não previram que os conquistadores iam vendê-los como escravos. Em 1493 Colombo pode ter parado aqui durante a sua segunda viagem para o Novo Mundo; desde então não aconteceu muita coisa. A grande beleza natural de El Hierro é a baía de El Golfo. Pensa-se que seja a orla de uma cratera maciça, metade da qual está submersa e a outra metade ergue-se dramaticamente a mais de 1000 m de altura. El Hierro tem  outras belezas naturais que rivalizam com o que há de melhor nas Canárias: esplêndidos pinheirais; estranhos zimbros todos retorcidos que são únicos desta ilha; montanhas com encostas a pique e miradores espectaculares. Há, contudo, falta de alojamentos. O parador pareceria a escolha mais confortável mas fica isolado, mesmo pelos padrões de El Hierro.

 

Visitar a ilha pode ser uma experiência frustrante. El Hierro pode ter apenas 24 por 27 km nas suas dimensões máximas, mas a configuração das estradas implica que seja inevitável andar para trás muitas vezes. A parte ocidental da ilha só pode ser explorada ao longo de caminhos sujos, cheios de buracos, onde se avança muito lentamente, e a costa meridional é quase inacessível.

 

 

 

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